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(...) A regeneração do indivíduo não se acha no futuro, mas no agora e, se adiarem a regeneração para amanhã, estarão atraindo a confusão, estarão presos na onda das trevas. A regeneração é agora, e não amanhã, pois a compreensão só se dá no presente. Não compreendem agora porque não põem todo o seu coração e mente, toda sua atenção naquilo que desejam compreender. Se puserem o coração e a mente para compreender, compreenderão. Senhor, se der seu coração e mente para descobrir a causa da violência, se estiver plenamente consciente dela, será não-violento já. Infelizmente, entretanto, já condicionaram toda a mente com a morosidade religiosa e a ética social, que se tornaram incapazes de olhar a coisa diretamente — e aí está a dificuldade. 
 
Assim, a compreensão está sempre no presente; nunca no futuro. A compreensão é agora e, não, em dias que virão. E a liberdade, que não é isolamento, só pode surgir quando cada um de nós compreende sua responsabilidade em relação ao todo. O indivíduo é o produto do todo; não é um processo à parte; ele resulta do todo. No final das contas, o senhor é um produto de toda a humanidade. O senhor pode denominar-se como quiser, mas o senhor é o resultado de um processo total que é o homem. E, se o senhor, psicologicamente, não estiver livre, como pode ter liberdade exterior? O que significa liberdade exterior? Pode ter governos diferenças — mas, por deus, isso é liberdade? Podem ter um grande número de províncias porque cada um quer um emprego, mas isso é liberdade? Senhor, nós nos alimentamos de palavras vazias; lançamos sombras nas assembleias com palavras que nada significam; temos vivido de propaganda que é mentira. Não pensamos, seriamente e por nós mesmos, sobre tais problemas porque a maioria de nós deseja ser conduzida. Não queremos pensar e descobrir porque é muito penoso e decepcionante pensar. Ou pensamos e ficamos desiludidos e cínicos — ou pensamos e transcendemos. Quando transcendemos todo o processo do pensamento, então há liberdade. E nisso há alegria, criação, coisa que o homem correto, vivendo isolado, jamais entenderá. 
*
Nosso problema, portanto, é que nossos pensamentos vivem perambulando e, naturalmente, queremos pô-los em ordem. mas como promover essa ordem? Para compreender uma máquina que trabalha muito rapidamente, precisamos desacelerar seu movimento, não é? Se quisermos examinar um dínamo, é preciso diminuir seu movimento, mas não pará-lo; parado, ele se torna uma coisa morta e não podemos compreender uma coisa morta. Só podemos compreender uma coisa viva. Desse modo, a mente que exterminou os pensamentos por meio de exclusão e do isolamento não pode compreender o pensamento; só o compreenderá se desacelerar o seu processo. Quando veem um filme em câmera lenta, percebem o maravilhoso movimento dos músculos de um cavalo que salta. É bonito esse movimento lento dos músculos; mas quando o cavalo salta velozmente, tão grande é essa velocidade, que se perde a beleza. Da mesma forma, quando a mente se move devagar porque deseja compreender cada pensamento que surge, nesse caso ela está liberta do pensamento, livre do pensamento controlado e disciplinado. Pensamento é a resposta da memória; por conseguinte, o pensamento nunca pode ser criativo. Só quando se encontro o novo como novo, o original como original, só então há um estado criador. A mente é o gravador, o acumulador de memórias e, enquanto a memória for revivida pelos desafios, tem de continuar o processo do pensamento. Mas, se observarem, sondarem e compreenderem, total e completamente, cada pensamento, verão que a memória começa a murchar. Falamos da memória psicológica, e não da memória factual.

Krishnamurti em, Bombaim, 7 de março de 1948 

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