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Dê às boas vindas à verdade em qualquer horizonte em que ele apareça, procure-a nas quatro direções, sem deixar de ir a nenhuma. Em suma, não se torne fanático e de mente estreita. 
 
Em qualquer lugar onde você encontrar a verdade, seja qual for o nome com que seja rotulada, aceite-a. 
 
Em seus esforços por uma vida melhor, aceite de boa vontade a ajuda que lhe vem de qualquer forma correta. 
 
Seja sempre receptivo às ideias e práticas que possam enriquecer as que já conhece. 
 
Nenhum caminho único leva, por si só, à verdade total. 
 
Não existe um grupo que tenha o monopólio da verdade, pois seu reconhecimento é uma experiência universal. Recusemo-nos a ouvir os que insistem em viajar por um único caminho, e apenas por ele. 
 
A verdade não está confinada a nenhuma seita, mas seus fragmentos podem ser encontrados espalhados por aqui e ali. 
 
Podemos aprender de tudo e de todos, de todos os acontecimentos e ocorrências, algo novo ou uma confirmação do que é velho, algo afirmativo ou algo negativo. 
 
Quando o instrutor de um ensinamento, um livro ou um exercício é usado como expressão indireta do movimento do próprio Eu Superior para libertar a graça, então é uma completa cegueira condená-lo como falso. 
 
Por que limitar a ajuda que você está querendo receber a uma única direção? Todos os homens são seus instrutores. A verdade, sendo infinita, possui um infinito número de aspectos. Cada guia espiritual tem a tendência de enfatizar apenas alguns e a negligenciar os outros. 
 
A inspiração manifestou-se em muitas terras e em diferentes formas, através de séculos distantes e de vários tipos de canais. Por que limitar a cultura a uma contribuição, uma terra, uma forma, um século ou a um só canal? Isso se aplica não só à cultura intelectual e artística, mas também ao seu aspecto religioso. Podemos ir ainda mais adiante nessa questão, e aplicar a mesma ideia aos gurus. Devemos ficar sempre atracados a um único guru? Não podemos, também, respeitar, apreciar, honrar, venerar outros gurus, e deles receber luz? 
 
"Estude tudo, mas não se vincule a nada", é o melhor conselho. Mas que pena! Os entusiastas ingênuos raramente o ouvem. 
 
Guarde com teimosia seu território e empunhe a bandeira da independência na busca da verdade, do não-compromisso no relacionamento com os instrutores da verdade. Humilde e alegremente, aceite todo o bem que possa encontrar em seus ensinamentos, mas não faça isso sob um contrato ou voto que o obrigue a tornar-se discípulo. Nesse assunto seja cético, pegando o melhor de cada fonte disponível e não excluindo nenhuma que tenha algo de útil a oferecer.

Aprenda algumas das verdades básicas que cada sistema contém sem se identificar com o próprio sistema. Mantenha a mente aberta e livre para adquirir ideias e práticas valiosas de outras culturas, e evite a atitude fechada, sectária. 
 
Libertar-se da estreiteza autoritária, convencional e sectária é olhar cada livro inspirado como uma bíblia. 
 
Essa posição isolada, fora de grupos e rótulos, oferece esta vantagem: o indivíduo é capaz de aproveitar de tudo, aceitar e reconciliar fragmentos de ensinamentos radicalmente diferentes e aparentemente contraditórios. 
 
Aceite, de todos os ensinamentos, tudo o que tenha valor para você pessoalmente, em seu atual estado mental, e descarte o resto. Esse é o caminho eclético, melhor que o caminho mais comum, que é entrar numa prisão doutrinária única e permanecer nela. Hesite muito antes de se comprometer e ingressar nesta ou naquela organização. Lembre-se de que existem vários aspectos da verdade, e de que pode valer a pena manter-se livre para aprender alguma coisa desses outros aspectos. 
 
Recomendo sempre àqueles que se sentem fortes o bastante para isso, que evitem entrar em alguma organização, que mantenha sua liberdade, enquanto ao mesmo tempo estudem as doutrinas de quaisquer que sejam as organizações que lhes interessem, de quaisquer que sejam as religiões que lhes chamem a atenção. Essa liberdade torna-os capazes de ter vista para todos os lugares, de estudar de tudo, de questionar corajosamente, de manter a amplitude de visão, a profundeza de pensamento. 
 
Só essa independência pode alcançar o novo sem perder o que tem valor no velho; todos os outros caminhos são comprometidos, limitados, cativos. 
 
Permanecendo abertos às verdades de diferentes fontes e juntando-as como mosaicos, chegamos, ao final, a algum tipo de padrão.

 
Paul Brunton em, A Busca
 

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Se alguma coisa é causa de alguma outra coisa, jamais é inútil, mas um velho expediente é sempre inútil. Por isso que cada novo profeta tem de lutar contra os antigos profetas. Está fazendo o mesmo trabalho que eles fizeram, mas terá que opor-se aos seus ensinamentos, porque precisa negar os velhos expedientes, já que eles se tornaram vazios e sem significação. 
 
Todos os grandes — Buda, Cristo, Mahavira — criaram, por compaixão, grandes mentiras, apenas para levar-te para fora da casa em chamas. Se puderes ser arrancado para fora de tua mente, através de qualquer expediente, isso é tudo quanto se faz necessário. Tua mente é o cárcere. Tua mente é fatal, é a escravidão. 
 
Como eu disse, esse dilema terá de acontecer. Assim é a natureza da vida. Terás que aprender a estreitar a mente. Esse estreitamento será de auxílio quando saíres para fora, mas será fatal lá dentro. Será utilitário como os outros; será suicida com a própria pessoa.
 
Precisas existir com os outros e contigo mesmo. Toda vida unilateral faz-se defeituosa. Precisas existir entre os outros com a mente condicionada, mas deves existir contigo mesmo com uma percepção inteiramente livre de condicionamento. A sociedade cria um estreitamento de percepção, mas a própria percepção significa expansão. É limitada. Ambas as coisas são necessárias, e ambas devem ser realizadas. 
 
Chamo sensata a pessoa que pode realizar ambas as necessidades. Qualquer extremo é insensato, qualquer extremo é prejudicial. Assim, vive no mundo com a mente, com o teu condicionamento, mas vive contigo mesmo sem a mente, sem treinamento. Usa tua mente como um meio, não faças dela um fim. Sai dela, no momento em que tenhas essas oportunidade. Quando estiveres sozinho, sai dela, salta fora dela. Então, festeja o momento, festeja a existência em si mesma, o Ser em si mesmo. 
 
O simples fato de ser é tão grande celebração, se souberes como saltar para fora do condicionamento. Esse "saltar para fora" vais aprender através da Meditação Dinâmica. Ela não será causada; virá ter contigo sem qualquer causa. A meditação criará uma situação na qual irás ter ao desconhecido. Aos poucos serás levado para fora de tua personalidade habitual, mecânica, robotizada. 
 
Seja corajoso. Pratica a Meditação Dinâmica vigorosamente, e tudo o mais se seguirá. Não será coisa que faças, será algo que acontece. 
 
Não podes trazer o divino, mas podes embaraçar a sua vinda. Não podes trazer o sol para a casa, mas podes fechar a porta. Negativamente, muita coisa a mente pode fazer: positivamente, nada. Tudo quanto é positivo é uma dádiva, é uma benção. Tudo quanto é positivo vem ter contigo, enquanto tudo quanto é negativo é trabalho teu. 
 
A meditação (e todos os expedientes da meditação) pode fazer uma coisa: afastar-te de todos os teus obstáculos negativos. Pode trazer-te para fora de teu cárcere, que é a mente. E, quando tiveres saído, rirás. Era tão fácil sair! Tudo estava ali mesmo! Apenas um passo se fazia necessário... mas andamos em círculos e perdemos sempre um passo, aquele passo que poderia levar-nos ao centro. 
 
Tu andas em círculos (pela periferia), repetindo a mesma coisa. Em algum ponto a continuidade precisa ser rompida. Isso é tudo quanto pode ser feito por qualquer método de meditação. Se a continuidade for rompida, se te tornas descontínuo com o teu trabalho, então, naquele exato momento, há explosão! Naquele exato momento estás centralizado, centralizado em teu ser. E então conhecerás tudo quanto sempre foi teu, tudo quanto estava apenas esperando por ti.

 
Osho em, Meditação: a arte do êxtase
 

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Como surgiu essa doutrina? Vimos que o pensamento chinês efetua uma guinada gradual em direção ao sujeito, passando a se preocupar com o eu e a perfeição do eu. Vimos de que modo, a partir da preparação ritual do oficiante com vista à recepção do espírito que desce, surgiu a ideia de uma purificação do coração que faria dele um lar adequado à alma. Essa purificação consistia, acima de tudo, numa "aquietação" das atividades voltadas para o exterior, dos apetites e das emoções; mas também num "retorno"; pois considerava-se que a alma se tornara, por assim dizer, cheia de lama devido aos sucessivos sedimentos da labuta e da agitação diárias, e a tarefa do "aperfeiçoamento de si mesmo" consistia em retornar através dessas camadas até que "o homem que ele tinha em mira" fosse alcançado. Por intermédio dessa "quietude", dessa completa suspensão das impressões exteriores, e mediante a convergência dos sentidos para um foco totalmente interior, surgiu uma espécie de auto-hipnose que, na China, é denominado Tso-Wang, "sentar-se com a mente vazia"; na Índia, Ioga, Dhyâna e outras denominações; no Japão, Zen. Uma técnica precisa foi criada [ou tomada de empréstimo da Ioga] para provocar esse estado de transe. A principal característica desta técnica era, tal como na Índia, a manipulação da respiração — a respiração deve ser suave e leve como a de um bebê ou, como se expressaram mais tarde os quietistas, a de uma criança no útero. Havia também estranhos exercícios para as pernas e os braços, alongamentos e posturas muito semelhantes aos âsanas associados ao ioga indiano; alguns quietistas, contudo, viam nisso um método muito físico e concreto para a realização de um fim espiritual.
 
O processo do Quietismo, portanto, consistia numa viagem de retorno, através das sucessivas camadas da consciência, ao ponto em que a Consciência Pura era alcançada, onde as "coisas percebidas" não eram mais vistas, mas "aquilo por meio do qual percebemos". Pois nunca ter conhecido "Aquilo por meio do qual conhecemos" significa jogar fora um tesouro que nos pertence. No "caminho de volta", chega-se logo a um  ponto onde a linguagem, criada para atender às exigências da consciência superior comum, não mais se aplica. O inciado que alcançou esse ponto aprendeu, como se expressavam os quietistas em sua linguagem secreta, "a entrar na gaiola sem provocar o canto dos pássaros".
 
Aqui surge uma questão, a qual, na verdade, os quietistas foram intimados a responder em diversas partes do mundo e em diferentes períodos da história. Admitindo-se que a consciência possa realmente ser modificada através da ioga, do auto-hipnotismo, do zen, da quietude ou de qualquer outra denominação que se escolha dar a isso, que evidências existem de que a nova consciência possua alguma vantagem em relação a velha? O quietista, seja chinês, indiano, alemão ou espanhol, sempre veio com a mesma resposta: através dessas práticas, obtêm-se três coisas — verdade, felicidade e poder.
 
Do ponto de vista teórico, sem dúvida não há razões que nos levem a acreditar que as afirmações do Tao sejam mais verdadeiras do que as do conhecimento comum; na verdade, seria como ter motivos para acreditar que a música que ouvimos quando o rádio está sintonizado em 360 é de algum modo "mais verdadeira" do que a música que ouvimos quando o mesmo rádio está sintonizado em 1600. Na prática efetiva, contudo, as visões dos quietistas não se mostram, para o quietista, meramente como alternativas mais ou menos agradáveis à existência cotidiana. Elas se fazem acompanhar por uma sensação de finalidade, por um sentimento de que "todos os problemas que todas as escolas de filósofos sob o Céu não podem resolver deste modo ou daquele têm sido resolvidos deste modo ou daquele". Além disso, o estado alcançado pelo quietista não é meramente agradável e indolor. Ele é "alegria absoluta", que transcende completamente qualquer forma de prazer mundano. E, por fim, ele fornece Siddhi, como dizem os indianos, , como dizem os chineses, um poder sobre o mundo exterior jamais imaginado por aqueles que se opõem à matéria ao mesmo tempo que continuam escravizados a ela. Este aspecto do Quietismo tampouco se restringe, como se supõem às vezes, às suas ramificações orientais. "Sem trabalho sujeitarás as pessoas e as coisas estarão sujeitas a ti, se esqueceres delas e de ti mesmo", diz São João da Cruz em Aforismos. É esta última alegação do Quietismo — a crença de que o praticante torna-se dotado não só de um poder sobre as coisas vivas (que chamaríamos de hipnotismo), mas também de um poder de mover e transformar a matéria — que o mundo esteve menos disposto a aceitar. "Tente e descubra por si mesmo", é a resposta habitual do quietista ao desafio "mostre-nos e acreditaremos". 
 
Sabemos que muitas e diferentes escolas do Quietismo existiram na China nos séculos IV e III a.C. De sua literatura, resta apenas uma pequena parte. A mais antiga é a que chamarei de a Escola de Ch'i. Sua doutrina chamava-se hsin shu, "A arte da Mente". Por "mente" não se compreende o cérebro ou o coração, mas "uma mente dentro da mente" que tem com a política humana a mesma relação que o sol tem com o céu. Ela é o governante do corpo, cujas partes componentes são os seus ministros. Ela deve permanecer serena e impassível como um monarca em seu trono. Ela é uma divindade, que somente se alojará onde tido estiver adornado e limpo. O local que o homem prepara para ela é chamado de seu templo (kung). "Escancare os portões, ponha o eu de lado, aguarde em silêncio e o brilho do espírito entrará e fará seu lar". E um pouco mais adiante: "Somente onde tudo estiver limpo o espírito habitará. Todos os homens desejam conhecer, mas não investigam aquilo pelo qual se conhece".  E de novo: "O que o homem deseja conhecer é aquilo (isto é, o mundo exterior). Mas seu modo de conhecer é isto (ou seja, ele próprio). Como pode conhecer aquilo? Somente através da perfeição disto."
 
Intimamente associada à "arte da mente" está a arte de nutrir o Ch'i, (respiração) o espírito da vida. O medo, a mesquinhez, a maldade — todas essas qualidades que poluem o "templo da mente" — devem-se a uma redução do espírito da vida. Os corajosos, os magnânimos, os que têm força de vontade são aqueles cujo ch'i difunde-se por todo o corpo, até pelos próprios dedos dos pés e pela ponta dos dedos. Deve-se armazenar no interior uma grande fonte de energia, "uma nascente que nunca seca", fornecendo força e firmeza a cada tendão e junta. "Armazene-a dentro; faça dela uma fonte, semelhante a um rio, constante e plano. Transforme-a num verdadeiro tanque do ch'i
 
Enquanto a lagoa não secar. os Quatro membros nunca enfraquecerão;
E enquanto o poço não esvaziar, o tráfego das Nove Aberturas nunca cessará.
Desse modo serás capaz de explorar o Céu e a Terra, 
Alcançar os Quatro Oceanos que limitam o mundo;
Dento não terás pensamentos confusos,
Fora, não sofrerás nenhum mal ou flagelo.
No interior, a mente estará sã;
E sadio estará também o corpo físico. 
 
Tudo isso é obra da respiração vital que está dentro da "mente". Pois ela pode "ir e vir onde quiser. Ser tão pequena que nada pode penetrá-la; tão ampla que nada existe além dela. Somente a perde aquele que, mediante a perturbação, lhe cause dano."
 
Qual a natureza das perturbações que causam a perda dessa "mente dentro da mente"? Elas são definidas como "mágoa e alegria, deleite e raiva, desejo e avidez de lucro. Repudie tudo isso e sua mente (neste contexto particular, 'coração' seria mais apropriado) retornará à sua pureza. Pois de tal modo é a mente que apenas a paz e a quietude podem lhe fazer o bem. Não se irrite, não se deixe perturbar  e o Acordo (harmonia entre a mente e o universo, que fornece o poder sobre as coisas exteriores) virá sem ser procurado. Ele está ao nosso alcance, na verdade está bem ao nosso lado; todavia, é intangível, algo que, para ser alcançado, não pode ser pego. Parece tão distante quanto os mais longínquos limites do Infinito. Contudo, ele não está distante; usamos diariamente seu poder. Pois o Tao (isto é, o Caminho do Espírito Vital) preenche toda a nossa constituição, embora o homem não possa acompanhar o seu curso. Ele vai e, contudo, não se afasta. Ele vem e, contudo, não está aqui. Ele é silencioso, não emite nenhum som que possa ouvir e, no entanto, descobrimos, de súbito, que ele está presente, na mente. É indistinto e escuro, não revela nenhuma forma externa e, no entanto, numa grande correnteza ele flui para dentro de nós no exato momento de nosso nascimento".
 
Divulgado por Pensar compulsivo

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A atitude mental cultivada tem suas raízes no senso do eu consciente que é o fator oniabarcante do condicionamento.
Duas perguntas surgem com frequência nas mentes dos estudantes sérios de Yoga: se uma mente condicionada pode compreender o estado incondicionado de consciência e se uma mente condicionada pode se tornar absolutamente incondicionada. Essas não são duas questões separadas, mas inter-relacionadas e, portanto, uma surge da outra.[...] O esforço consciente da mente surge do senso do eu... por conseguinte, que, através do esforço consciente da mente, não podemos compreender o estado incondicionado da consciência. 
 
A atitude mental cultivada tem suas raízes no senso do eu consciente que é o fator oniabarcante do condicionamento. Com certeza, é o senso do eu que condiciona a mente; de fato, qualquer atividade de tal mente está dentro dos limites condicionantes deste senso do eu. Portanto, a mente não pode compreender o que é o estado incondicionado de consciência através de seus próprios esforços, conquanto sublimes possam ser. É evidente que um processo contínuo não pode nos levar a compreender o descontínuo. E o estado incondicionado de consciência é realmente um estado de descontinuidade. 
 
Se a mente condicionada não pode compreender o estado incondicionado, então, tal mente condicionada nunca poderá ser absolutamente incondicionada? Nas mentes da maioria das pessoas há uma concepção falsa com relação ao caráter do estado incondicionado da consciência. É evidente que antes de chegarmos à realização direta de tal estado, temos de ter uma clara compreensão intelectual sobre o mesmo. Percebe-se que até mesmo essa compreensão intelectual é amplamente ausente. Existe uma ideia geral de que um estado incondicionado é aquele que não é condicionado por fatores perversos ou não-desejados. Isso significa que uma mente incondicionada  por fatores bons e nobres deve ser considerada incondicionada. Estritamente falando, uma mente incondicionada é uma mente desocupada. No entanto, isso não significa que a mente é livre apenas das assim-chamadas ocupações indesejáveis. Em todas as religiões e abordagens morais, em geral, o aspirante é solicitado a manter a mente ocupada com aquilo que é considerado como pensamentos bons e que elevam. Todavia, uma mente ocupada com bons pensamentos, conquanto nobres possam ser, não é uma mente desocupada. De igual forma, uma mente incondicionada, que é moldada por supostos fatores bons, não é uma mente incondicionada. O descondicionamento deve ser absoluto, assim como a condição desocupada da mente deve ser livre de todas as ocupações, sejam elas boas ou más. 
 
[...] A mente condicionada não pode conhecer o estado incondicionado, e o estado de descondicionamento absoluto pode surgir tão-só nos momentos de meditação ou comunhão. Descondicionamento absoluto não é um condicionamento modificado.

[...]Pode algum dia a mente condicionada chegar ao descondicionamento absoluto? Pode, se a mente for libertada de todos os motivos. Não tem utilidade lutar com padrões de condicionamento, pois a causa (natureza exata) não se encontra nos padrões, mas nos motivos. Às vezes, um aspirante espiritual tenta fechar sua mente a certos fatores externos de condicionamento, mas isso não terá valor enquanto os motivos persistirem.

Rohit Mehta — Yoga: a arte da integração
Divulgdo por Persar Compulsivo 

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A descoberta de uma "estrela" de cinema é celebrada pela imprensa de todo o mundo, ao passo que a descoberta do eu espiritual de um homem se faz em completo silêncio, sem os louvores do mundo nem de seus órgãos escritos. 
 
Eis a senda que conduz à paz duradoura. Devemos penetrar cada vez mais fundo, com a mente focalizada, até entrarmos no reino onde domina a paz bendita. Uma imensa quietude inundará lentamente nosso ser interno, e sentiremos uma delicada e santa paz cada vez maior.
 
Conheceremos que estamos ingressando na aura do verdadeiro eu pela experimentação de um sentimento de felicidade. Este é apenas o estágio inicial. O último será uma união estática. 
 
Pouco a pouco, irão desvanecendo todas as nossas impressões de tudo que nos rodeia, o mundo e seus interesses começarão a afastar-se, pois quando nossas mentes são retraídas do buliçoso tumulto de nossa época e encontram seu estado natural nos quietos momentos, elas são saturadas de uma sublime paz.
 
Ao ingressarmos no âmago central de nossa mente, chegamos a um estado em que o pensamento se queda silencioso, em que no começo parece não ser nada, exceto a beatífica consciência do Ser, o sublime repouso na Existência Infinita. Este é o eu que realmente somos, o Super-eu. 
 
"Tendo abandonado as coisas do mundo,
Esqueci castas e linhagens;
Minha tecedura é agora no silêncio infinito.
Kabir, tendo pesquisado e se pesquisado a si mesmo,
Encontrou Deus em seu interior."
 
Estas linhas foram escritas há muitos anos por Kabir, o poeta-tecelão de Benares.

Quando, em nossas meditações, procuramos descobrir o nosso eu verdadeiro de suas múltiplas máscaras, chegaremos, por último, a um estado interno, que é realmente o mais interessante da vida. 
 
Não é inconsciência. Não é sono. Não é sonho. Dentro de seu regaço, tornamo-nos conscientes de uma intensa percepção do infinito. Entrar temporariamente nesta condição transfigura toda a natureza humana. Quando nos recolhemos à cidadela da alma, começa a desvanecer-se de nossa vida o movediço panorama das impressões sensórias. Ao penetrarmos intimamente em nós mesmos, começa a desaparecer o quadro do mundo, que até então nos encantava e roubava de nossa verdadeira autoconsciência. Quando colocamos nossa mente em repouso e nos recordamos do que somos, nossos esforços não necessitam mais ser premiados. Garantimos o bálsamo para o dia, e toda a vida nos parece boa. Quando a mente humana se detém em sua atividade incessante; quando ela se esvazia de toda imagem e ideia, então ela se torna um espelho claro, em que se reflete a inefável Divindade. 
 
Nossos graves e eruditos céticos os dirão que estes êxtases espirituais são meros distúrbios do sistema nervoso, e seus frios irmãos, os médicos, provavelmente rotularão de "excessiva pressão sanguínea", ou outra coisa. Outros confundirão este estado com os devaneios introspectivos de algum sonhador solitário. Contudo, ao invés de rejeitar, com o prejuízo desdenhoso da incompreensão, estes vislumbres das gloriosas possibilidades do homem, seria preferível que eles os admitissem como demasiado estranhos para serem aceitos por sua razão, e os deixassem em paz por enquanto. 
 
Há os que quererão sentar-se num solene conclave para investigar estas asserções. Mais sábios seriam, no entanto, se investigassem seus próprios eus. Pois não há melhor prova do eu interno do que experimentá-lo praticamente. 
 
É desta maneira peculiar que o homem que segue a senda da meditação analítica, começa a acordar para a liderança de sua intuição. Quando ele principia a sentir o impulso interior despontar nas profundezas de seu ser; quando começa a obedecer esse impulso, deixando-o conduzir sua consciência mais e mais para o seu interior; quando submete totalmente os seus pensamentos, sentimentos e memórias pessoais, e os carreia para a torrente da vida impessoal que flui espontaneamente; quando se subordina a esse profundo comando, então transporá o umbral do autoconhecimento e ingressará na câmara interna, onde o aguarda o seu ser real. Uma vez obtida esta experiência, ainda que momentânea, ele compreenderá algo do que quero dizer ao falar do ser espiritual no homem. Compreenderá que sem a intervenção dos cinco sentidos nem do sonho, entrou numa condição maravilhosa, em algo que é REAL e transformador, que jamais experimentara.
 
No silêncio absoluto de sua alma, sentirá que pensar meramente é fazer um ruído sacrílego. Neste estado elevado, ao descobrir a presença de seu eu divino, ele percebe que o melhor pagamento por este privilégio, é reunir todos os seus pensamentos num feixe sobre o sagrado altar e sacrificá-los. Neste raro momento o intelecto é cremado, e de suas cinzas surge a fênix do verdadeiro eu, o imperecível Super-eu no homem.

Paul Brunton em, O Caminho Secreto
 

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A vida não observada, não examinada, não vale a pena ser vivida, porque não é vida”   dizia Sócrates.  
 

É contraproducente fazer esforço para mudar, pois o que vai nos transformar é a verdade: temos de observar a verdade para compreender que nossa programação não permite que sejamos nós mesmos.
 
É preciso reconhecer todas as reações que surgem quando se olha para uma pessoa, para uma paisagem ou para si mesmo. É necessário observar como se costuma reagir ante determinadas situações.
 
Deve-se olhar com objetividade, como se fosse outra pessoa observando, tomando consciência do que acontece dentro e fora de si mesmo, com toda a atenção (como ao dirigir um carro). Isso deve ser feito sem julgamento qualitativo, porque, se dermos rótulos às coisas, não as veremos como elas são. É necessário entender as coisas, sem qualquer tipo de pré-julga­mento.
 
Precisamos compreender que, com a palavra, ou com o pensamento, temos o costume de rotular as coisas e as pessoas, e depois, como conseqüência disso, passamos a viver o personagem do rótulo, e não a pessoa em si.
 
Pôr-se em contato com a realidade é olhar para ela sem querer interpretá-la nem mudar nada, deixando que a realidade modifique a ordem das coisas, brilhando por si mesma.
 
Se não mudamos espontaneamente, é porque resistimos a isso. No momento em que descobrirmos os motivos da resistência, sem reprimi-la nem rejeitá-la, ela desaparecerá sozinha. Quando existe sensibilidade em nós, não é preciso violência para conseguir as coisas de que necessitamos, pois tudo é resolvido através do entendimento e da compreensão. E seremos até surpreendidos ao ver como as coisas se resolvem de acordo com a nossa compreensão da realidade, sem que tenhamos de lutar contra ela.
 
O reconhecimento da realidade é um convite ao crescimento pessoal e à mudança.
 
“Mudar é impossível. Permaneçam como estão. Ame a si mesmo tal como são. Não queiram mudar. Se a mudança de alguma coisa for possível, ela ocorrerá por si mesma, quando e se quiser.
 
Deixem-se a si mesmos em paz”.

Desprograme-se!

É muito importante você reconhecer que até agora foi um ioiô, subindo e descendo de acordo com os problemas, os desgostos ou depressões que enfrenta; que foi incapaz de manter um nível de estabilidade. É preciso aceitar que passa a vida à mercê de outras pessoas, de coisas ou de situações. Que está sendo manipulado ou que pode manipular os outros, as coisas e as situações. Que não é dono de si mesmo, nem consegue olhar as situações com sossego, sem pressa nem ansiedade.
 
Toda essa atitude depende apenas de nossa programação. Nós somos programados desde a infância pelas conveniências sociais, pelo que chamam de educação, ou cultura. Assim, vivemos dentro de uma programação, e damos as respostas esperadas, diante de determinadas situações, sem parar para pensar o que existe de correto na situação e se ela está de acordo com o que nós somos de verdade. Damos uma resposta habitual e mecânica.
 
Somos programados conforme um conjunto de idéias convencionais e culturais, que tomamos como verdades, quando não o são. Por exemplo, a ideia de pátria, de fronteiras e de hábitos culturais, que inclusive nos levam a conflitos bélicos, quando nada têm a ver com a realidade.
 
Quando somos produtos de nossa cultura sem questionar coisa alguma, nós nos transformamos em robôs. A cultura, a religiosidade e as diferenças raciais, nacionais ou regionais foram impressas na nossa mente, e nós as interpretamos como se fossem reais.

Fácil e Difícil

Precisamos nos libertar de nossa história e da programação a que fomos submetidos para poder responder por nós mesmos. Só o que nasce de dentro para fora é autentico e pode nos libertar. Só podemos assumir e considerar como nosso, alcançando assim a liberdade, aquilo que vem de dentro.
 
“Conta-se que existia um grande professor chamado Buso, que era casado e tinha uma filha. Todos da família eram conhecidos por sua grande sabedoria e santidade. Um dia, um homem aproximou-se do professor e perguntou: ‘A iluminação é fácil ou difícil? E Buso respondeu: ‘É tão difícil quanto chegar à Lua’. Inconformado, o homem foi falar com a mulher de Buso e lhe fez a mesma pergunta. Ela respondeu: ‘É muito fácil. Tão fácil quanto tomar um copo d’água’. O homem ficou intrigado e, para livrar-­se das dúvidas, fez a mesma pergunta à filha do professor, que lhe respondeu:’Ora, se o senhor torna as coisas difíceis, é difícil, mas se facilita tudo…
 
Difícil mesmo é a capacidade de ver, isto é, de ver com simplicidade, com sinceridade, sem nos enganar porque ver significa mudar, ficar sem nada a que se agarrar. E nós estamos acostumados a procurar apoio, a andar com muletas. Quando chegamos a ver com clareza, temos de voar. E voar significa nada temer, andar sem se agarrar a coisa alguma. Precisamos desmontar a tenda em que nos refugiamos e continuar pelo caminho que está adiante de nós, sem procurar apoio.
 
O pavor maior reside justamente na aniquilação de todo tipo de medo, já que ele sempre é o manto no qual nos envolvemos para não ver e não sermos vistos. É duro deixar tudo para trás e enfrentar a felicidade, quando não queremos ser felizes a esse preço. Neste caso, trata-se de uma felicidade que deve ser expressada por nós mesmos, sem esperar que nos seja entregue já pronta e embrulhada para presente. Embora todos digamos que procuramos pela felicidade, na verdade não queremos. Preferimos voltar ao ninho ao invés de voar, porque temos medo. E o medo é uma sensação que todos conhecemos, enquanto a felicidades é desconhecida.
 
A primeira coisa que o bom terapeuta deve entender é que as pessoas que a ele recorrem não procuram a cura, mas o alívio; elas não querem mudar, porque a mudança nos expõe e compromete.
 
É como aquele que estava mergulhado numa fossa, com sujeira até a altura do queixo, cuja única preocupação era que ninguém aparecesse para fazer chacotas, não se importando em ser ou não tirado dali. O problema, portanto, é que a grande maioria das pessoas compara a felicidade com a conquista dos objetos que desejam, quando, ao contrário, a felicidade reside precisamente na ausência dos desejos, e no fato de pessoa alguma ter poder sobre nós.

Anthony de Mello 
 
Publicado por pensar compulsivo 
 

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O destemor é a qualidade de todos os iluminados e de todos aqueles que seguem o Caminho da Iluminação. A vida, para eles, perdeu seus horrores e sofrimento, seu ferrão, pois eles impregnam esta existência terrestre de um novo significado, em vez de desprezá-la e maldizê-la por suas imperfeições, como fazem todos aqueles que, nos ensinamentos de Buda, tentam encontrar um pretexto para sua própria concepção negativa do mundo. Por acaso o semblante do risonho Buda, refletido um milhão de vezes pelas inúmeras imagens em todos os países budistas, é a expressão de uma atitude antagônica à vida, tal como os atuais representantes intelectuais do Budismo (especialmente no Ocidente) tentam com frequência demonstrar? 
 
Condenar a vida como algo mau, antes de ter esgotado suas possibilidades de um desenvolvimento superior, antes de ter chegado a descortinar uma compreensão de seu aspecto universal e antes de ter compreendido as qualidades supremas da consciência na obtenção da iluminação, o fruto mais nobre e a realização última de toda a existência, representa um tipo de atitude não só PRESUNÇOSA e IRRACIONAL mas também completamente TOLA. Ela só pode ser comparada à atitude de um homem ignorante que, após examinar uma fruta verde, considera-a não comestível e joga-a fora, em vez de dar a ela a oportunidade de amadurecer. 
 
Somente aquele que alcançou o estado supra-individual da Perfeita Iluminação pode renunciar à "individualidade". Aqueles, contudo, que reprimem suas atividades sensoriais e suas funções naturais da vida, antes mesmo de ter tentado utilizá-las de MODO CORRETO, não se tornarão santos mas meramente PETRIFICADOS. Uma santidade, que se apóia simplesmente em virtudes negativas, meramente na ABSTENÇÃO e FUGA, pode impressionar a multidão e pode ser considerada como uma prova de autocontrole e de força espiritual; contudo, conduzirá apenas à AUTO-ANIQUILAÇÃO ESPIRITUAL e não à iluminação. Tal é o caminho da estagnação, da morte espiritual. Trata-se da libertação do sofrimento às custas da vida e da FAGULHA potencial da Iluminação no nosso interior. 
 
A descoberta dessa FAGULHA é o começo do Caminho da Iluminação, que realiza a liberação do sofrimento e dos grilhões do estado de ego, não mediante a uma negação da vida, mas através da ajuda ao próximo durante o esforço na direção da Perfeita Iluminação. (...)

Antes de emitirmos algum juízo acerca do significado da vida e da natureza real do universo, deveríamos nos perguntar: "Afinal de contas, quem é que assume aqui o papel de juiz?" A própria mente julgadora, discriminadora, não é uma parte e um produto desse mesmo mundo que ela condena? Se considerarmos nossa mente capaz de julgamento, então já concedemos ao mundo um valor espiritual, a saber, a faculdade de produzir uma consciência que vai além das meras necessidades e limitações de uma vida transiente. Contudo, se esse é o caso, não temos razão alguma em duvidar das possibilidades ulteriores de desenvolvimento dessa consciência ou de um tipo mais profundo de consciência, que se situa na própria raiz do universo e da qual conhecemos apenas uma pequena seção superficial. 
 
Se, por outro lado, adotamos a opinião de que a consciência não é um produto do mundo, mas que o mundo é um produto da consciência, torna-se óbvio que vivemos exatamente no tipo de mundo QUE TEMOS CRIADO e que, portanto, MERECEMOS, e que o remédio não pode estar numa "FUGA" do "MUNDO" mas apenas numa MUDANÇA DA "MENTE". Tal mudança, porém, só pode ocorrer se conhecemos a natureza mais secreta dessa mente e de seu poder. Uma mente que é capaz de interpretar os raios emitidos pelos corpos celestes, a uma distância de milhões de anos-luz, não é menos maravilhosa que a natureza da própria luz. Quanto mais magnífico não é o milagre dessa luz interior que habita as profundezas de nossa consciência!

O Buda e muitos de seus numerosos discípulos forneceram-nos uma compreensão dessa consciência mais profunda (universal). Este fato, por si só, possui muito mais valor do que todas as teorias científicas e filosóficas, pois mostra à humanidade o caminho do futuro. Assim, pode existir apenas UM problema para nós: despertar, dentro de nós mesmos, essa consciência mais profunda e penetrar naquele estado que o Buda chamou de "Despertar" ou "Iluminação". Esse é o caminho para a realização do estado-de-Buda dentro de nós mesmos. 
 
Lama Anagarika Govinda
 
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(...)O desejo sempre assinala uma dependência. Num certo sentido, todos nós dependemos de alguém (do padeiro, do leiteiro, do agricultor etc., necessárias à organização de nossa vida).
 
Mas, depender de outra pessoa para nossa própria felicidade, além de ser uma coisa nefasta para nós mesmos, representa um grande perigo, pois, com isso, estamos afirmando algo contrario ávida e a realidade.
 
Portanto, depender de outra pessoa para estar alegre ou triste é remar contra a correnteza da realidade, pois a felicidade e a alegria não podem vir de fora, já que estão dentro de nós. Só nós mesmos podemos tornar reais as forças de amor e felicidade que existem dentro de nós, e apenas aquilo que conseguimos expressar, a partir dessa nossa realidade, pode nos tornar felizes. De fato, o que vem de fora pode vir a nos estimular mais ou menos, mas não nos dá uma gota sequer de felicidade.
 
(...) Não é possível caminhar quando temos necessidades emocionais, que precisamos nos sentir queridos e apreciados, que devemos pertencer a outra pessoa, a alguém que nos deseje. Não é verdade. Quando um individuo sente esse tipo de necessidade, esta sofrendo de uma enfermidade que vem de sua insegurança afetiva.
 
Tanto a enfermidade — a necessidade de sentir-se querido — como a cura que se deseja — o amor recebido — baseiam-se em falsas premissas. Não existem necessidades emocionais para conseguir a felicidade externa. Isto porque você, enquanto pessoa, é o amor e a felicidade em si mesmo, e apenas mostrando esse amor e desfrutando dele você vai ser realmente feliz, sem vontade nem desejos, pois você já tem em si mesmo todos os elementos para ser feliz.
 
A resposta do amor externo agrada e estimula, mas não nos da mais felicidade do que aquela que já temos, pois nós mesmos já contamos com toda a felicidade que somos capazes de desenvolver, Deus é a verdade, a Felicidade e a Realidade, e Ele é a Fonte, sempre disposta a nos completar à medida que, livremente, nos entregamos e nos abrimos a Ele.

VOCÊ JÁ É FELICIDADE


Despertar é a única experiência que vale a pena. Abrir bem os olhos, para ver que a infelicidade não vem da rea­lidade, mas dos desejos e das idéias equivocadas.
 
Para ser feliz não é preciso fazer coisa alguma, além de desfazer-se de falsas idéias, das ilusões e fantasias que não nos permitem ver a realidade. Uma pessoa só consegue isso se mantendo acordada e chamando as coisas por seus verdadeiros nomes.
 
Você já é felicidade, assim como é amor, mas não vê isso porque está dormindo. Esconde-se atrás das fantasias, das ilusões, e também das misérias das quais se envergo­nha. Nós todos fomos programados para ser felizes ou infelizes (dependendo de apertarem o botão do elogio ou da crítica), e isso é o que nos confunde. É preciso que reconheçamos isso, saindo dessa programação e procuran­do dar às coisas os seus nomes verdadeiros.
 
Se você insiste em não despertar, nada se pode fazer:
 
“Não deves empenhar-te em tentar fazer um porco cantar, pois estarás perdendo o teu tempo e o porco acabará SE irritando”.
 
Todo mundo sabe que o pior cego é aquele que não quer ver.
 
Se você não quer ver e despertar, continuara programado; e as pessoas adormecidas e programadas são mais fáceis de permitirem ser controladas pela sociedade.
 
Capitulo Um do livro Auto Libertação – Antony de Mello 

Publicado por  Pensar Compulsivo
 

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Tentar pensar no Eu que está para além do alcance do pensamento é apenas criar outro pensamento. Abandonando tal pensamento, eu fico em paz. — Ashtavakra Gita                  
                   
Quase todos nós, quando nos perguntam — "Quem é você", temos uma pequena dúvida quanto à nossa identidade. Pode haver alguns que não estejam tão seguros; não sabem realmente quem são, mas ocupam-se em descobrir uma identidade e, geralmente, não se passa muito tempo sem que também eles se liguem a algo que lhes parece ser psicologicamente satisfatório. 
 
O autor deste texto começou a vida sabendo integralmente quem era e para onde ia. Contudo, há alguns anos atrás descobriu que estava sendo vítima de um caso de identidade equivocada, que não era absolutamente o que pensava ser, e que aquilo que realmente era, sua verdadeira identidade, estava bem além do alcance de seu pensamento habitual. Consequentemente, ele teve de revisar toda sua maneira de pensar e, virtualmente, começar do princípio. 
 
Sinto que saber quem ou o que alguém é, faz-se absolutamente fundamental para o que quer que seja que esse alguém está fazendo. Sem tal conhecimento, nada tem, na verdade, muita significação, e a pessoa vive num mundo de total ilusão, como acontecia com este escritor.(...)
 
Assim, o problema que se nos apresenta é examinar, como se nunca tivéssemos dado ao caso um só pensamento (e provavelmente não demos), a ideia da identidade pessoal. Há, em primeiro lugar, a "impressão" de que somos alguma entidade, algum "eu" contido em algum "corpo", que todos possuem e sentem intuitivamente. Veremos, dentro de um momento, como essa impressão surgiu. Provavelmente, a maioria das pessoas, ao lhe perguntarem: "Quem é você?" respondem imediatamente lançando um nome, como se isso fosse o fim e não o princípio da indagação. Isso é como se alguém jamais tivesse visto um automóvel e, ao indagar o que era aquilo lhe dissessem: "Chevrolet." Assim, antes de mais nada, o nome, a verbalização, realmente bloqueia a indagação sobre a identidade de alguém.(...) 
 
Vamos, agora, continuar a indagação com um pouco mais de profundidade, passando para além de nomes e aparências. Há uma coisa que todos nós possuímos, e que é a consciência das coisas. Não se trata da minha consciência, ou da sua consciência, embora seja você, ou seja eu quem esteja aparentemente, no centro da questão. Assim como a luz possibilita às pessoas a identificação dos objetos, a consciência possibilita perceber, discriminar, compreender. Em si própria não possui identidade, mas qualquer identidade que a ela apareça associada ergue-se dentro dessa consciência. É a consciência que temos imediatamente depois de acordar de um sono profundo, quando não sabemos quem somos, o que somos e, na verdade, onde estamos.Não precisamos insistir nesse ponto. A capacidade básica de discernir, de aprender, existe em cada ser dotado de sentidos. Alguns usam mais essa capacidade do que outros, mas a luz da consciência está em todos os seres humanos e não dá, portanto, a menor indicação da identidade de alguém. Ainda assim, como já dissemos, cada um de nós traz em si essa "sensação" de personalidade. 
 
De certa forma, é um assunto complexo esse de como tal sensação de personalidade, com a consequente identidade equivocada, chegou a existir. Não é fácil, talvez nem seja sequer possível, realmente, descrever inteiramente como tal coisa aconteceu, de forma que só podemos sugerir o processo. cada um de nós deve "sentir" isso, compreender isso por si mesmo, e quando o conseguimos, descobrimos que a identidade equivocada desapareceu, miraculosamente. 
 
Através da consciência discernimos a Forma, as múltiplas imagens, de início apenas contornos vazios que posteriormente recebem conteúdo (isto é, significação funcional) pela "denominação". Assim, cada contorno, quando familiar, recebe uma etiqueta, e esse é o primeiro processo de "identificação" a que nos ligamos. Parte desse estágio inicial de identificação está em vermos constantemente presente o contorno de determinado "corpo", que acompanha todas as percepções. A não ser pelos períodos de sono, ele está sempre ali, assim como estão as várias sensações e impressões sensórias continuamente recebidas através daquele "corpo". 
 
A sensação de personalidade então chega através da identificação com a imagem sempre presente do corpo, dando origem ao pensamento do "eu" inicial. É importante notar que, conforme dissemos antes, a própria Consciência — que, se pensarmos nisso por um momento, não está associada a um determinado corpo — não demonstra ego-sensação, nem a sensação de ser parte de algum lugar ou de estar dentro de determinado período de tempo: ela está fora do espaço-tempo. Da mesma forma, o corpo físico, que em si mesmo é insensível, está naturalmente provado da sensação do ego. O estranho é que quando os dois, essa Consciência e o "corpo físico" se juntam, desse encontro emerge uma sensação de personalidade ou um falso "eu" chamado "ego". Apressamo-nos a acrescentar, todavia, que o precedente ainda descreve o mecanismo em imaginação dualística, já que, afinal, o "corpo físico" (como algo que podia existir fora da Consciência) não existe; é chamado assim, mas na verdade não passa de mera aparência, um contorno colocado naqueles termos pelo pensamento e pela linguagem. 
 
Assim, o ego que emerge de tal união de Consciência e corpo é uma entidade fantasma, é, realmente, uma construção do pensamento que permanece ativo e faz sentir sua presença apenas durante os períodos de vigília. (E, com essa identificação primordial, surge também a manifestação de todos os outros corpos e objetos — toda a aparência do mundo.) Essa construção do "eu" pelo pensamento, uma vez criada, nutre-se e mantém-se sempre pela associação com outras construções do pensamento, tais como o nome de família, senso de posse, e assim por diante. Ergue-se e baixa como o sol, no acordar e no dormir. No sono profundo não há sensação de identidade, contudo não podemos negar que existimos. 
 
Assim, percebemos por nós mesmos a natureza real do ego, e descobrimos, claramente, que se trata de um eu falso, que o ego deve ser igualado à mente, que é vista apenas como um complexo de lembranças, experiências e pensamentos baseados nessas experiências — sempre perdendo parte de seu conteúdo de memórias com o passar do tempo e sempre acrescentando-lhe algo, pois o processo de experiências continua. Dado que o pensamento, do qual a mente é construída, não pode ser tido como durável, e dado que essa carga de pensamentos, memórias, imagens, desejos, ansiedades, etc., não pode ser tida como possuindo qualquer estrutura definida e permanente, não podemos atribuir a a personalidade à mente. Assim, o ego, através do qual nós vivemos, é essencialmente vazio. Obteve uma porção de coisas, mas, essencialmente, em sua natureza original, é um Nada. 
 
Então, que somos? O eu real não é o corpo, não é o ego; deve ser, é evidente, o que restar, uma vez descartadas todas as coisas que não somos. O que permanecer, após serem descartados todos os aspectos ilusórios da nossa existência, é o eu real. Façamos isso e chegaremos, inevitavelmente, ao Vazio! Isso somos. Teremos de afastar sem piedade todas as coisas que são apenas elementos do pensamento, construções do pensamento, em justaposição mais ou menos temporária. Compreenderemos que algum padrão de pensamento sempre repetido,  tal como "eu sou o corpo", que é a identificação básica subjacente, não confere personalidade a esse corpo, forçosamente, nem esse corpo incute realidade nos padrões do pensamento. Compreenderemos que o ego teve início como padrão destacado de tais elementos do pensamento e, uma vez cristalizado, "desenvolveu-se" com vários acréscimos posteriores. Assim, posses materiais, educação, meio, atuam como verdadeiros "construtores do corpo" para aquele ego, formando uma "personalidade". Essa personalidade parece ter vida própria, sem saber de onde ela vem. Quando, em certos momentos, faz-se vagamente consciente do Vazio, não sente tal coisa como sendo ela própria, mas como ameaça — a ameaça de morte iminente. Assim, houve uma verdadeira inversão: o ego representa um estado de morte: mata o eu a cada momento de sua vida ativa. A liberação é o retorno ao Vazio. 
 
Os leitores que não estão apenas lendo este artigo, mas têm realizado alguma coisa, ativamente, à proporção que leem, compreenderão, agora, que não "conhecem" o eu, mas são o eu. "Conhecer" pressupõe objeto e sujeito e, sendo assim, não pode jamais aplicar-se ao nosso eu, que, como vimos, não é coisa de espaço e tempo. Portanto, o leitor não conhece o eu, que compreende todos os objetos e todos os sujeitos. É através do eu que o leitor percebe entidades de espaço e tempo, mas o eu, em si mesmo, só é compreendido, não conhecido. A palavra "conhecer" não se aplica, pois, em conexão com o eu. Entretanto, essa palavra tem sido habitualmente usada como tal porque, pelo menos no presente estágio de evolução da consciência, poucos compreendem tais sutilezas de distinção. Às vezes, essa compreensão do eu é chamada "Conhecimento", escrito com C maiúsculo, para diferenciá-lo daquilo que habitualmente se conhece por esse nome, mas tal uso tende a causar confusão em muitos leitores. Pela mesma razão não adotei a forma de escrever a palavra eu com maiúscula, porque considero que o intento é melhor alcançado usando a sua forma cotidiana de escrever. O uso de maiúsculas pode levar a alguns a pensar que aquilo a que nos estamos referindo é alguma coisa que está fora deles ou é apenas uma parte deles no chamado nível "espiritual" mais alto, quando, na verdade, ele é, simplesmente, sua única e integral identidade.

Dr. Robert Powell

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