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Aqui estão alguns Livros de Osho ,Krishnamurti e Eckhart Tolle que auxilia
 no processo de Ego-Conhecimento: 

3 Pastas no One drive:   1ª de de Krishnamurti ,2ª do Osho , 3ª Eckart Tolle .

     

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O filme REVOLVER (2005) é sem dúvida um filme imperdível para quem vivencia a pergunta "Quem sou?". É um filme que retrata todas as fronteiras do ego, toda dualidade, avanços e  retrocessos, todos os jogos internos, jogos conflituosos, perfaz o processo de auto-questionamento, desde a prisão solitária, passando pelo despertar, o deserto e finalizando na iluminação, representado por um modo de vida sem medo. Fica aí a sugestão. Para quem assistir de mente aberta, funciona tal e qual a um Satsang. Deixo partes dos diálogos entre os personagens que representam a consciência, o intelecto, o ego e o iniciado. No fim da página é possível assistir o filme completo. Quando clicar abrirá uma página, feche-a e clique novamente. Desfrute... 

 

 

Texto acima do site :  Pensar compulsivo 

 

 

 

 

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 Compreender um hábito é abrir a porta para a compreensão de todo o mecanismo do hábito Então, eu devo, primeiro, compreender a futilidade da resistência ou do esforço para romper um hábito. Se isto estiver claro, o que acontece? Eu fico consciente do hábito, totalmente consciente dele. Se eu fumo, observo a mim mesmo fazendo isto. Eu fico consciente de colocar minha mão no bolso, pegar os cigarros, tirar um do maço, batê-lo na unha ou em alguma outra superfície dura, colocá-lo em minha boca, acendê-lo, apagar o fósforo, e dar baforadas. Estou consciente de cada movimento, de cada gesto, sem condenar ou justificar o hábito, sem dizer que é certo ou errado, sem pensar, “Que terrível, devo me livrar disto”, e assim por diante. Eu estou consciente sem escolha, passo a passo, conforme vou fumando. Tente isto da próxima vez, se quiser romper o hábito. E compreendendo e rompendo um hábito, mesmo superficial, você pode entrar na enorme totalidade do problema do hábito: hábito do pensamento, hábito do sentimento, hábito de imitar e o hábito de ansiar para ser alguma coisa, pois isto também é um hábito. Quando você combate um hábito, dá vida a esse hábito, e o combate se torna outro hábito, em que a maioria de nós fica presa. Nós só conhecemos a resistência, o que se tornou um hábito. Todo o nosso pensar é habitual, mas compreender um hábito é abrir a porta para a compreensão de todo o mecanismo do hábito. Você descobre onde o hábito é necessário, como no discurso, e onde o hábito é completamente corruptor.

 

J.Krishnamurti, Collected Works, Vol. XIII,204,Choiceless Awareness

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Você consegue permitir que a sua mente fique em silêncio?
 
Para alguns isso pode ser extremamente difícil, porque a mente parece ser como um macaco louco, pulando de um lado pro outro e gritando o tempo inteiro... Mas isso é porque você aprendeu a achar que não pode para-la.
 
Uma enorme quantidade de pessoas dedicam suas vidas à manter suas mentes ocupadas, e se sentem extremamente desconfortáveis com o silêncio, quando se estão sozinhas, ninguém dizendo nada, não tendo nada pra fazer... Isso é resultado da falta de presença no momento, resultado de uma preocupação produzida pela mente: "Eu fui deixado sozinho comigo mesmo, e eu quero fugir de mim mesmo", é por isso que algumas pessoas passam horas na frente da TV, ou adoram ir ao cinema ver filmes, ou ler livros de estórias, é por isso que vamos em festas atrás de companhias, vamos beber, ou qualquer coisa que fazemos em busca de distrações, é porque não queremos estar conosco, por algum motivo nos sentimos estranhos.
 
Mas porque você quer fugir de si mesmo? O que tem de tão ruim sobre si mesmo?
 
Isso é porque nossa cultura nos condiciona a sermos viciados em pensamentos, é como uma droga, mesmo que você não veja dessa maneira. Pensamentos compulsivos, um atrás do outro, se tornam um habito inconsciente, e com isso há a dificuldade em para-los, ou sequer percebê-los.
 
E como mudamos isso? Bom, não existe manual, mas o que eu posso sugerir com ênfase é: NÃO TENTE! Porque se você tentar irá ser como uma pessoa que tenta acalmar um lago agitado batendo na água com uma barra de ferro, e tudo que isso fará é agita-lo mais. Então, da mesma maneira como um lago agitado se acalma quando deixado sozinho, sem influencia do vento ou de pessoas na água, você precisa aprender a deixar sua mente sozinha, ela irá se acalmará por si só, pois este é seu estado natural, vazio. Ela só está em movimento porque você usa sua energia psíquica pra movimenta-la, consciente ou inconscientemente.
 
Não tente impor sua vontade, apenas observe, absorva e tenha paciência.
 
"A verdadeira meditação é abandonar a tentativa de manipular a experiência."
 
Adyashanti
 

Divulgado pelo site: Pensar Compulsivo

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Por que é que as pessoas, tendo uma certa renda e podendo retirar-se do trabalho de responsabilidade, tanta vezes se deterioram e se desintegram psicologicamente?


Krishnamurti: A deterioração é mera resultante da renda certa? A renda certa talvez apenas exagere a deterioração já existente. Não, meus senhores, não foi riam disso, como se nada fosse. Interessa-nos saber por que a mente se deteriora numa determinada fase, ou por que razão ela se deteriora
 
Um homem que está trabalhando, ganhando dinheiro, frequentando regularmente um escritório, não está se deteriorando, aparentemente, pois está em atividade; ao cessar, porém, essa atividade, torna-se perceptível a deterioração. 
 
A mente sujeita a uma rotina, seja a rotina de um escritório, de um rito, ou a rotina de um certo dogma, já está se deteriorando, não é verdade?
 
Por certo, vale muito mais a pena descobrir as causas determinantes da deterioração da mente, do que inquirir por que razão o seu vizinho se desintegra, quando se retira das atividades. Se pudermos realmente compreender só esta questão, talvez venhamos a conhecer a eternidade da mente.
 
Por que se deteriora a mente — não apenas a sua mente, mas a mente do homem? Pode-se ver que o fator da deterioração surge quando a mente se transforma em máquina de hábito, quando a sua educação é mero exercício de memória, e quando se acha numa luta incessante, procurando ajustar-se a um padrão imposto de fora ou criado por ela própria. 
 
Há medo, deterioração, destruição da mente, quando ela está constantemente em busca de segurança, ou quando sujeita do desejo de preenchimento.  
 
E tal é o nosso estado, não é verdade? Ou estamos na sujeição do hábito, da rotina, fazendo a mesma coisa sempre e sempre, exercitando-nos na virtude, ajustando-nos ao padrão de uma disciplina, para chegarmos a um certo resultado, para encontrarmos segurança psicológica ou material; ou, ainda, estamos a competir, a fazer esforços inauditos, na nossa ambição de sucesso mundano. 
 
Certo, é isso que cada um de nós está fazendo, e, por conseguinte, já pusemos em funcionamento o mecanismo da deterioração. Se qualquer dessas reações existe em nós, em qualquer nível que seja, estamos nos deteriorando. 
 
Pois bem. Pode a mente renovar-se com frequência? Pode a mente ser criadora momento por momento? 
 
Não me refiro à criação compreendida como mera atividade de planejar e expressar, compreendida como capacidade ou aplicação de uma técnica. Não estou me referindo à criação sob nenhum desses aspectos. Mas pode a mente experimentar o desconhecido? Sem dúvida, só no estado de não-conhecimento não há deterioração.
 
Qualquer outro estado acarretará, por força, o envelhecer da mente. Como qualquer mecanismo posto a funcionar seguidamente durante dias, semanas, meses e anos, a mente, sempre em atividade, se deteriora, inevitavelmente. 
 
Enquanto você fizer uso da sua mente como se fosse máquina, para realizar, produzir, ganhar, tem em si as sementes da deterioração, da velhice e da decrepitude. E quer se trate de um menino de dezesseis anos ou de um velho de sessenta, o "processo" é o mesmo. 
 
Nós, porém, em geral, não estamos cônscios desse processo de deterioração. Estamos cônscios, apenas, de nos acharmos entre as rodagens da máquina de prazeres e dores e sofrimentos, e da nossa luta para sairmos dela. 
 
A mente, pois, nunca está quieta, despreocupada; sempre se acha envolvida com alguma coisa: com Deus, com o comunismo, com o capitalismo, com o enriquecer, com a opinião dos outros ou... com a cozinha. Com quantas coisas ela anda preocupada! Como está constantemente ocupada, nunca é livre, jamais tranquila. 
 
Só a mente que está tranquila — não por estar insensibilizada, mas por encontrar-se naquele estado de silêncio que é criador — só essa mente pode sustar a deterioração. 
 
A imunidade à deterioração não é possível à mente que se preenche pelo exercício de capacidades. À medida que nos tornamos mais idosos, a capacidade se embota. Você pode ser um exímio pianista; como o envelhecer, porém, vem o reumatismo, vêm os achaques, vem a cegueira, ou você pode ser vitima de um acidente. 
 
A mente que anda à procura de preenchimento, em qualquer sentido, em qualquer nível, já contém em si a semente da destruição. É o "eu" que quer preencher-se, quer tornar-se alguma coisa; vendo-se vazio, frustrado, busca o "eu" preenchimento em minha família, meu filho, minha propriedade, minha ideia, minha experiência. 
 
Quando reconhecemos tudo isso e lhe percebemos os perigos, só então a mente pode estar vazia momento por momento, dia por dia, não embargada pela carga do passado ou pelo temor do futuro. 
 
O viver naquele momento não é nenhuma coisa fantástica, só concedida a uns poucos.
 
Afinal de contas, como disse, cada um de nós vive num mundo de sofrimento, luta, dor, efêmera alegria, e cada um de nós deve encontrar aquela coisa desconhecida; ela não foi reservada só para um e negada aos demais. É justo que podemos criar um mundo novo; mas este mundo novo não pode nascer da revolução exterior, que produz decomposição. 
 
A mente se deteriora quando busca um fim, quando se submete à autoridade, nascida do temor. Há um definhar-se da mente, quando não há autoconhecimento, e o autoconhecimento não é uma coisa que se possa aprender de um livro. Ele tem de ser descoberto a cada momento, o que requer uma mente vigilante ao extremo; e a mente não está vigilante quando achou um fim. 
 
Assim, o fator que acarreta a deterioração se encontra em nossas próprias mãos. A mente, presa à experiência, vivendo da experiência, nunca encontrará o incognoscível. O incognoscível só pode manifestar-se quando o passado já não existe; e só não há passado, quando a mente está tranquila.

Krishnamurti em, Percepção Criadora

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Medo é o nome da chave de sua apertada cela

 

A maioria tem medo de ficar só. Porventura saímos a passeio sozinhos? Raramente. Sempre queremos alguém que vá conosco porque queremos conversar, queremos contar alguma história a alguém, sempre estamos falando, falando, falando; portanto, nunca estamos sós, estamos? Quando se cresce e se pode sair para um passeio sozinho, descobre-se muitas coisas. Descobre-se o próprio jeito de pensar, e então começa-se a observar todas as coisas circundantes — o mendigo, o homem estúpido, o inteligente, o rico e o pobre; toma-se consciência das árvores, dos pássaros, a luz refletida numa folha. Vocês verão tudo isso quando saírem a passear sozinhos. Ficando sós, vocês depressa descobrirão que têm medo. E é porque temos medo que inventamos essa coisa chamada religião. 

 

Muitos volumes têm sido escritos sobre Deus e sobre o que se deve fazer para abordá-lo; mas a base disso tudo é o medo. Enquanto se tem medo, não se pode encontrar nada de real. Se você tem medo do escuro, não se atreve a sair da cama, cobre a cabeça com o lençol e trata de dormir. Para sair e ver, para descobrir o que é real, é preciso haver liberdade em relação ao medo, não é? Mas, vejam, ficar livre do medo é muito difícil. A maioria dos adultos diz que que vocês só podem ser livres quando forem mais velhos, quando tiverem amealhado conhecimentos e tiverem aprendido a disciplinar a mente. Eles pensam que liberdade é algo muito distante, situado no fim e não no princípio. Mas certamente deve haver liberdade desde a infância, de outro modo vocês jamais serão livres. 

 

Vejam, tendo eles próprios medo, eles os disciplinaram, dizendo-lhes o que é certo e o que é errado; dizem que vocês precisam fazer aquilo e não isto, que devem pensar no que as pessoas dirão, e assim por diante. Há todo tipo de controle para assustá-los na trilha, no molde, no modelo, e a isso chamam de disciplina. Sendo muito jovens, e por causa de seu próprio medo, vocês se ajustam; mas isso não os ajuda em nada, porque quando vocês apenas se ajustam a algo, não o compreendem. 

 

Ora, examinem isso de outro modo. Se vocês não fossem disciplinados, se não fossem controlados, reprimidos, fariam o que quisessem? Vocês fariam o que bem entendessem, se não houvesse ninguém para lhes dizer o que fazer? Talvez o fizessem agora, porque estão habituados a ser obrigados, oprimidos, moldados e, como reação, fariam algo contrário a tudo isso. Mas suponham que desde a infância, desde o começo de sua frequência à escola, o professor conversasse com vocês e não lhes dissesse o que deveria fazer — como então reagiriam? Se, desde o começo de sua passagem pela escola, o professor assinalasse que ser livre é a primeira coisa importante, e não a última a ser tratada quando se está para morrer, o que aconteceria? 

 

O problema é que ser livre requer boa dose de inteligência; e como vocês ainda não sabem o que é ser livre — é função do professor ajudá-los a descobrir os processos da inteligência. É a inteligência que acarreta a liberdade em relação ao medo. Enquanto houver medo, vocês estarão sempre se impondo algum tipo de disciplina: devo fazeristo e não aquilo, devo crer, preciso conformar-me, preciso fazer puja, e assim por diante. Essa autodisciplina é toda nascida do medo, e onde há medo não há inteligência.

Por conseguinte, a educação, a rigor, não é apenas uma questão de ler livros, de passar nos exames e de obter um emprego. É um processo completamente distinto; ela se estende desde o momento em que se nasce até a morte. Vocês podem ler inúmeros livros e ser muito espertos, mas não creio que a mera esperteza seja sinal de educação. Se for simplesmente esperto, você perderá muito na vida. O importante é, primeiro, descobrir de que é que você tem medo, compreender isso e não fugir disso. Quando sua mente está realmente livre de todo tipo de exigências, quando já não é invejosa, cobiçosa, só então poderá descobrir o que é Deus. Deus não é o que o povo diz que ele é. É algo inteiramente diferente — algo que acontece quando você compreende, quando você não tem nenhum medo. 

 

Assim sendo, a religião é na realidade um processo de educação, não é verdade? A religião não é uma questão daquilo que se deve crer ou não crer, de cumprir rituais ou de apegar-se a algumas superstições; é um processo de auto-educação nos caminhos do entendimento, de modo que nossa vida fique extraordinariamente rica e não mais sejamos seres humanos amedrontados, medíocres. Só então poderemos criar um mundo novo.

Líderes políticos e religiosos dizem que a criação de um novo mundo está nas mãos dos jovens. Nunca ouviram isso? Centenas de vezes, provavelmente. Mas eles não os educam para serem livres; e é haver liberdade para criar um mundo novo. Os adultos os educam nos modelos das próprias ideias deles — e têm feito uma grande confusão. Eles dizem que são vocês, os da nova geração, que devem criar um mundo novo; mas ao mesmo tempo eles os enjaulam, não é verdade? Dizem-lhes que precisam ser indianos, parses, isto ou aquilo — e se vocês lhes seguirem as ideias irão obviamente criar um mundo exatamente igual ao atual. Um novo mundo só pode ser criado quando se cria a liberdade, não com medo, não com superstição, não com base no que certa pessoa disse que um mundo deveria ser.

Vocês, jovens, da nova geração, só poderão criar um mundo totalmente diferente se forem educados para serem livres e não forçados a fazer algo de que não gostem ou que não compreendam. Por isso, é muito importante, enquanto são jovens, seremverdadeiros revolucionários — o que significa não aceitar qualquer coisa, mas inquirir sobre todas as coisas a fim de descobrir a verdade. Só então poderão criar um mundo novo. Caso contrário, ainda que os chamem por um nome diferente, vocês estarão perpetuando o mesmo velho mundo de misérias e destruição que sempre existiu até agora.

Mas, geralmente, o que é que nos acontece quando somos jovens? As moças se casam, têm filhos, e aos poucos desaparecem. Os rapazes, quando crescem, têm de ganhar a vida, então arranjam empregos e lhes é exigido que se conformem, que sigam uma profissão, quer gostem quer não; tendo-se casado e tendo filhos, são arrastados pela vida afora por suas responsabilidades e devem, portanto, fazer aquilo que lhes dizem que façam. Nessas condições, o espírito de revolta, o espírito de inquirição, o espírito da busca interior chega a seu fim; todas as suas ideias revolucionárias de criar um mundo novo são esmagadas, porque a vida é demais para eles. Eles precisam ir para o escritório, têm lá um chefe para o qual precisam fazer isto ou aquilo e, aos poucos, o senso de inquirir, o sentimento de revolta, a ânsia de criar um modo de viver completamente diferente de tudo, é destruída por completo. Por isso, é muito importante ter esse espírito de revolta desde o princípio da vida.

Vejam, a religião, a coisa real, significa uma revolta para encontrar a Deus. ou seja, significa descobrirmos por nós mesmos o que é a verdade. Não é a mera aceitação dos chamados livros sagrados, por mais antigos e venerados que eles sejam. 

 


Krishnamurti em,  "O verdadeiro Objetivo da vida"

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Tratemos de averiguar o que é viver. A realidade do viver é a fadiga diária, a rotina, com as respectivas lutas e conflitos; é a dor da solidão, a aflição e sujeira da pobreza e da riqueza, a ambição, a busca de preenchimento, o êxito e a tristeza — que abarcam toda a esfera de nossa vida. Eis o que chamamos viver — ganhar e perder batalhas, e a interminável busca de prazer. 
 
Contrastando com isso ou como seu oposto há o que se chama "viver religioso" ou "vida espiritual". Mas todo oposto contém decerto a semente de seu próprio oposto e, por conseguinte, ainda que pareça diferente, na realidade não o é. Podem-se mudar as roupas externas, mas a essência íntima do que foi e do que deverá ser é a mesma. Essa dualidade é produto do pensamento, e, portanto, gera mais conflito; esse conflito é uma galeria interminável. Sabemos de tudo isso; outros nos têm dito ou nós mesmos o temos experimentado. Isso é o que se chama viver. 
 
A vida religiosa não está na outra margem do rio; está neste lado — onde se acham todas as agonias do homem. É este lado que temos de compreender, e a ação da compreensão é o ato religioso — e não cobrir-se de cinzas, cingir os quadris com uma tanga ou a cabeça com uma mitra, ocupar o trono dos poderosos ou ser transportado no dorso de um elefante. 
 
Ver inteiramente a condição do homem, seus prazeres e aflições, é de primeira importância, e não o especular sobre o que deveria ser uma vida religiosa. "O que deveria ser" é um mito; é a moralidade criada pelo pensamento e a fantasia, moralidade que devemos rejeitar — social, religiosa, profissionalmente. Essa rejeição não vem do intelecto, mas é, com efeito, um sereno abandono do padrão dessa imoral moralidade. 
 
Portanto, a questão realmente é esta: Temos possibilidade de sair desse padrão? Foi o pensamento quem criou essa medonha desordem e angústia, e ele é que está impedindo tanto a religião como a vida religiosa. O pensamento se julga capaz de sair do padrão, mas, se o faz, isso será ainda um ato de pensamento, porque o pensamento não tem realidade e, por conseguinte, só pode criar outra ilusão. 
 
Ultrapassar tal padrão não é um ato do pensamento. Isso precisa ser compreendido claramente porque, de contrário, você se verá novamente encerrado na prisão do pensamento. O "você", afinal de contas, é um feixe de memórias, de tradição e do conhecimento acumulado em milhares de dias passados. Assim, só com a terminação do sofrimento — pois o sofrimento é resultado do pensamento — pode-se sair do mundo da guerra, do ódio e da violência. Esse ato de sair é a vida religiosa. Essa vida religiosa não tem crença nenhuma, porque não tem amanhã. 
 
"Você não está exigindo o impossível, senhor? Não está querendo um milagre? Como posso sair de tudo isso sem o pensamento? O pensamento é meu próprio ser!"

Exatamente! Esse "seu próprio Ser", que é pensamento, tem de acabar. Esse egocentrismo com todas as suas atividades tem de morrer, sem esforço, naturalmente. Só nessa morte se encontra o começo da vida religiosa.

Krishnamurti em, A OUTRA MARGEM DO CAMINHO

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