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A atitude mental cultivada tem suas raízes no senso do eu consciente que é o fator oniabarcante do condicionamento.
Duas perguntas surgem com frequência nas mentes dos estudantes sérios de Yoga: se uma mente condicionada pode compreender o estado incondicionado de consciência e se uma mente condicionada pode se tornar absolutamente incondicionada. Essas não são duas questões separadas, mas inter-relacionadas e, portanto, uma surge da outra.[...] O esforço consciente da mente surge do senso do eu... por conseguinte, que, através do esforço consciente da mente, não podemos compreender o estado incondicionado da consciência. 
 
A atitude mental cultivada tem suas raízes no senso do eu consciente que é o fator oniabarcante do condicionamento. Com certeza, é o senso do eu que condiciona a mente; de fato, qualquer atividade de tal mente está dentro dos limites condicionantes deste senso do eu. Portanto, a mente não pode compreender o que é o estado incondicionado de consciência através de seus próprios esforços, conquanto sublimes possam ser. É evidente que um processo contínuo não pode nos levar a compreender o descontínuo. E o estado incondicionado de consciência é realmente um estado de descontinuidade. 
 
Se a mente condicionada não pode compreender o estado incondicionado, então, tal mente condicionada nunca poderá ser absolutamente incondicionada? Nas mentes da maioria das pessoas há uma concepção falsa com relação ao caráter do estado incondicionado da consciência. É evidente que antes de chegarmos à realização direta de tal estado, temos de ter uma clara compreensão intelectual sobre o mesmo. Percebe-se que até mesmo essa compreensão intelectual é amplamente ausente. Existe uma ideia geral de que um estado incondicionado é aquele que não é condicionado por fatores perversos ou não-desejados. Isso significa que uma mente incondicionada  por fatores bons e nobres deve ser considerada incondicionada. Estritamente falando, uma mente incondicionada é uma mente desocupada. No entanto, isso não significa que a mente é livre apenas das assim-chamadas ocupações indesejáveis. Em todas as religiões e abordagens morais, em geral, o aspirante é solicitado a manter a mente ocupada com aquilo que é considerado como pensamentos bons e que elevam. Todavia, uma mente ocupada com bons pensamentos, conquanto nobres possam ser, não é uma mente desocupada. De igual forma, uma mente incondicionada, que é moldada por supostos fatores bons, não é uma mente incondicionada. O descondicionamento deve ser absoluto, assim como a condição desocupada da mente deve ser livre de todas as ocupações, sejam elas boas ou más. 
 
[...] A mente condicionada não pode conhecer o estado incondicionado, e o estado de descondicionamento absoluto pode surgir tão-só nos momentos de meditação ou comunhão. Descondicionamento absoluto não é um condicionamento modificado.

[...]Pode algum dia a mente condicionada chegar ao descondicionamento absoluto? Pode, se a mente for libertada de todos os motivos. Não tem utilidade lutar com padrões de condicionamento, pois a causa (natureza exata) não se encontra nos padrões, mas nos motivos. Às vezes, um aspirante espiritual tenta fechar sua mente a certos fatores externos de condicionamento, mas isso não terá valor enquanto os motivos persistirem.

Rohit Mehta — Yoga: a arte da integração
Divulgdo por Persar Compulsivo 

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